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Ricardo Noblat 





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Guia para amar (ou odiar) São Luís

O capítulo do trânsito.

Bem, o primeiro grande susto que se leva ao chegar a São Luís é o trânsito. Parece aquele desenho animado da Corrida Maluca. Tem figuras cômicas e perigosas, desde os Irmãos Bacalhau ao Dick Vigarista. Anote aí: os lances são bizarros e exigem pós-doutorado em direção defensiva.

Para começar, ninguém sabe para que servem aqueles sinais luminosos do veículo. Vai daí que, de repente, sem mais nem menos, é muito comum que alguém apareça do nada, tal qual uma alma mal-assombrada de filme de terror, dando ?cortadas?, ?fechadas?, ?tirando finos? e aprontando coisas do arco da velha, haja coração ( - ?Dolores, traga os meus sais!!!?).

Sem contar, já contando, que também é hábito ver alguém bem à sua frente parar o carro no meio do trânsito movimentado, causando um engarrafamento monumental, apenas para atender a um celular ou para conversar com um conhecido que vai pela calçada, ai, ai, ai ( - ?Dolores, mais sais!!!).

Mas em faixa de pedestre, quando a parada é obrigatória, aí ninguém pára de jeito nenhum (coisa trivial em Brasília), nem em sinal vermelho (que tal?). A velocidade mínima fica por volta de 100 km (em Brasília a máxima é 60 Km), com o agravante de que, tratando-se de cidade histórica, as pistas são bastante estreitas (em Brasília, geralmente são largas).

Outra: os motoristas (sem a menor noção espacial) não respeitem as faixas de rolamento e dirigem utilizando mais de uma delas; em razão disso, são muito comuns as batidas laterais. Já viu alguém bater num carro que vai bem ao lado do outro, e que, portanto, está inteiramente no campo de visão? Pois é.

Praticamente não há um só dia em que carros batidos não estejam parados em alguma pista importante (principalmente na Jerônimo de Albuquerque), atrapalhando o trânsito. Conselho: quem tem amor a sua família, ou quem tem dependentes a zelar, faça logo um seguro de vida, com apólice milionária, de preferência.

O lado bom no capítulo trânsito é que, ao contrário de Brasília, em São Luís, em regra, não há lugar longe. Enquanto na Capital da República o tempo médio de uma cidade satélite para outra é de 40 minutos (de ?carro próprio?, expressão querida pelos maranhenses), na Capital do Maranhão a média de um bairro para outro é de 15 minutos (lugar considerado longe aqui, olha só, é aquele que demora 30 minutos, porque me ufano!).

Isso leva, claro, a costumes inusitados para uma cidade grande, como almoçar em casa, coisa impensável em Brasília. Na Ilha do Amor, a distância pequena de um lugar para outro torna possível ir a um cinema em plena segunda-feira, a um bar em plena terça-feira, a uma praia (de noite ou no final da tarde) em plena quarta-feira, e assim por diante.

Deve-se advertir, no entanto, que, para quem anda de ônibus, as coisas são tão complicadas quanto em Brasília (neste quesito tomo notas do meu sobrinho, pois eu não ando de ônibus, sorry!).

Todos os coletivos circulam lotados, parecendo latas de sardinha, e fazem parte da rotina os assaltos à mão armada (em Brasília é a mesma coisa; estamos todos perdidos, não é?).

Para completar, inventaram as tais ?integrações? (pontos de parada obrigatória onde os passageiros são redistribuídos para outros veículos; alguém aí está lembrando de um negócio chamado ?baldeação?? acertou!).

Queridos, em São Luís não há ônibus direto para quase lugar nenhum e itinerários bobos como Vinhais ? Bequimão, que de ?carro próprio? dura dez minutos, de ônibus às vezes é cumprido em 1h.

Resumindo, seja de "carro próprio", seja de ônibus, tudo funciona na base do ?segura na mão de Deus e vai!?.

(continua)
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Em tempo: a idéia da coluna não é dizer qual cidade é melhor ou pior do que a outra, o que seria injusto dada a realidade sócio-econômica distinta que não permite comparações nesses termos, mas apenas apontar diferenças e semelhanças de dois mundos bastante diferentes.
12 Dec 2006 por Rubem Milhomem
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Guia para amar (ou odiar) São Luís, posted on 12 Dec 2006 by Rubem Milhomem


 
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