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Ricardo Noblat 





Nosso provedor

 

 

MENSAGEM ESPCIAL DE FREI MARTINELLY

Caríssimos leitores!

Dezembro fica no fim de um ano velho e no limiar de novo ano. Sugere, pois, dois olhares: um para o passado... Terá sido marcado por alegrias e tristezas. Mas o bom cristão sabe que tudo é graça "Para quem ama a Deus, tudo concorre para o bem... até os pecados", diz S. Agostinho. Sim; o pecado humilha, torna o pecador mais despretensioso e mais aberto à graça de Deus. Acrescenta o S. Doutor: "Que o pecador se condoa do seu pecado e se alegre por se ter condoído". As falhas o levam também a mais maturidade e seriedade de vida, pois nos lembram as palavras do Senhor: "Se conhecesses o dom de Deus..." (Jo 4,10) e "Se conhecesses a mensagem de paz" (Lc 19,42). Obrigado por tudo, Senhor.

Um olhar para o futuro... Ele se abre sob o signo da palavra de São Paulo: "Desprezas a riqueza de sua paciência e longanimidade desconhecendo que a benignidade de Deus te chama para a conversão?" (Rm 2,4). O tempo é a graça básica que o Senhor Deus nos possa conceder, pois somente no tempo podemos desdobrar nossas virtualidades e atingir o estado do Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 5, 13).

A corrida do tempo é inexorável (2007, 2008, 2009...), ela exige um crescimento qualitativo para que não nos tornemos adultos de idade, mas infantis no nosso ser interior, que é decisivo para a nossa personalidade. Daí o apelo do Apóstolo à generosidade: "Sabei que quem semeia pouco, também colherá pouco, e quem semeia com largueza também com largueza colherá...; Deus ama a quem dá com alegria" (2Cor 9,6s). - Mais: a fé nos ensina que tempo e Eternidade estão em linha contínua; a eternidade, para o cristão, começa no tempo e vai sendo desfrutado no tempo, à medida em que o filho de Deus se abre para ela. E, para que este desabrochamento aconteça, Cristo renasce no Natal em cada coração para aí reforçar a renúncia à velha criatura e abertura à semente de vida eterna que Ele deposita no íntimo de cada qual dos que recebem o Batismo. Somos gratos ao Senhor por sua vinda portadora de alegria, como diz S. Agostinho:"Tu esperas a primavera para te alegrares. A verdadeira alegria é o Senhor. O Senhor está sempre contigo. Para Ele não há estações do ano. Ele está contigo de noite. Ele está contigo de dia. Sê reto de coração e nele brotará uma fonte de alegria".

SANTO NATAL E FELIZ NOVO ANO

É O QUE DESEJO PARA VOCÊS

Com grande estima,

Frei Martinelly Martins

Secretário Provincial OFM Cap

Deus vivo e verdadeiro

 

 

Esta afirmação sobre Deus nós a encontramos na primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses (1,9). Início do Novo Testamento é o titulo que a referida carta recebeu, posto que, na ordem cronológica, ela representa o primeiro documento da nova aliança na Sagrada Escritura. Nela são Paulo destaca o abandono do culto idolátrico e a conversão para o Deus vivo e verdadeiro, como âmago do seguimento de Cristo. Deus é para o cristão o Deus vivo e verdadeiro.

Destacar que Deus é a vida significa engrandecer a Deus não tanto como origem da vida, mas enquanto plenitude de vida, a vida em si mesma. Deus é simplesmente a vida. Nele estava a vida, diz são João (1,4) e “o Pai tem a vida em si mesmo” (5,26). Cristo atribui esta enunciação a si mesmo: “O Pai concedeu ao Filho o ter a vida em si mesmo” (5,26) e ainda: “Eu sou... a vida” (Jo 11,25 e 14,6). Esta última sentença nos conduz novamente ao cenáculo, onde o Senhor a pronunciou. Ao mesmo tempo surge o discurso em Cafarnaum, tão cheio de solenes declarações: “Eu sou o pão da vida – As palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6,48. 63). Respondemos-lhe, então, com Paulo: “Temos posto a nossa esperança em Deus vivo” (1Tm 4,10).

O Deus vivo é uma palavra no limiar da oração eucarística, significando o resumo da liturgia da palavra e da sagrada ceia; explicação daquilo que procuramos encontramos na eucaristia. Refere-se ao cenáculo de Jerusalém e a sinagoga de Cafarnaum. Deus verdadeiro é uma expressão que também vem da oração sacerdotal, onde Jesus a emprega em estreita ligação com o título de Pai santo e a relaciona com o conceito de vida: “Nisto consiste a vida eterna: que te conheçam a ti único Deus verdadeiro” (Jo 17, 3). Vida e verdade estão correlacionadas tanto no Evangelho como nas primeiras frases da IV oração eucarística . Deus não é invenção dos que pretendem entorpecer o povo, nem dos criadores de mitos. Deus existe real, verdadeiramente; impossível é dele se esquivar. Deus é mais verdadeiro do que as realidades do mundo e do universo; é uma realidade que, por certo, não se pode pegar, mas tampouco se pode evitar. Deus está acima de todo principio, acima de todo desenvolvimento e anterior a ele, e além de toda evolução: é verdadeiro Deus.

No texto expresso em 1Ts, 9-10, Paulo fala da conversão dos pagãos que abandonaram o culto aos ídolos para se voltarem ao Deus vivo e verdadeiro. Sem dúvida alguma, o apóstolo apresenta uma formulação antiga da fé cristã em que aparece em primeiro plano o kerygma, isto é o anúncio da morte-ressurreição de Jesus (cf.1Ts 4,14;5,10). Esse anúncio, proclamado por Paulo como acontecimento de salvação, é confirmado, logo adiante, pela expressão Nós vos proclamamos o kerygma do evangelho de Deus” (1Ts 2,9). A proclamação desse fato central da fé cristã implica, necessariamente, o apelo à conversão. Trata-se de uma dimensão vital, pois o termo conversão exige uma mudança de conduta ou, até mesmo, uma nova e mais radical orientação de comportamento. Se de um lado significa voltar-se para Deus, do outro lado, exige necessariamente o afastamento dos ídolos. Este fato é mais significativo ainda porque 1Ts 1,9-10 é o único texto do kerygma primitivo a mencionar a conversão ao Deus vivo e verdadeiro, isto é, ao Deus de Israel. Em todo caso, o conteúdo desta proclamação, para Paulo e toda a Igreja primitiva (cf. At 14,15; 26,18), é algo inegociável e indiscutível, representa a condição sem a qual, não existe mais a fé cristã. Uma vez que o anúncio evangélico é dirigido aos pagãos, é necessário precisar que a fé em Jesus morto e ressuscitado é inseparável da fé no Deus já revelado na experiência religiosa do povo de Israel, como o Deus único e verdadeiro.

Paulo, nesse sentido, mostra sua fidelidade à tradição profético-sapiencial: os ídolos não podem salvar porque, na realidade, não existem, são mentiras, são falsos: Os ídolos não são nada (Sl 81,10). Em contraposição, só o Deus da tradição bíblica é verdadeiro e autêntico, ele é o Deus vivo e por isso mesmo é o único que pode dar a vida e ser o salvador da humanidade. O pano de fundo da proclamação evangélica torna-se ainda mais claro, ao lembrarmos que a pregação profética era dirigida às nações pagãs, para que se voltassem para o Deus vivo (Is 45; Jr 16,19ss). Ora, servir ao Deus vivo e verdadeiro significa reconhecê-lo como único Senhor. Entretanto, a idolatria, o ateísmo e outras características de ontem e de hoje nunca são superadas de uma vez por todas. Elas renascem continuamente sob diversas formas. Quando se deixa de servir ao único Senhor, surgem e proliferam todos os tipos de outros senhores.



São Luís, 23 de junho de 2008

 

 

 

Frei Martinelly Martins

Secretário da Província Capuchinha Nossa Senhora do Carmo

Maranhão, Pará e Amapá

 



MENSAGEM DE PÁSCOA

Caríssimos leitores,

 

     Celebramos com grande júbilo a Solenidade da Páscoa, a morte salvadora de Jesus Cristo e sua gloriosa ressurreição. Ele é o Vencedor da morte que abriu para todos os homens o caminho da esperança e da vida nova. Solenidade litúrgica por excelência, a Páscoa é a fonte e o cume de todo e qualquer culto cristão. A Igreja nasce da Páscoa e através dela atualiza-se pelas estradas da vida. O evento histórico-salvífico Jesus Cristo, em sua Paixão, Morte e Ressurreição, inaugura novo tempo para toda a humanidade e se torna o paradigma de libertação/redenção de homens e mulheres

     É Páscoa! Celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n`Ele da primeira criação e o início da “nova criação”(2Cor 5,17). “É o dia que Senhor fez para nós: alegremos-nos e nele exultemos”(Sl 118). Este convite à alegria, que a liturgia de Páscoa assume como próprio, traz em si o sinal daquele alvoroço que se apoderou das mulheres – elas que tinham assistido à crucifixão de Cristo – quando, dirigindo-se ao sepulcro “muito cedo, no primeiro dia depois do sábado”, o encontraram vazio.  A ressurreição de nosso Senhor Jesus é o dado primordial sobre o qual se fundamenta a fé dos cristãos. É uma realidade estupenda, captada plenamente à luz fé, sobretudo, por aqueles que tiveram o privilégio de ver o Senhor ressuscitado.

    

     Ao participarmos dos ritos da Quinta-Feira Santa, da Sexta-Feira Santa e da Vigília pascal, percorremos de novo as últimas horas da vida terrena de Jesus, no final da qual resplandece a luz da Ressurreição. Juntamente com a Eucaristia, no Cenáculo o Senhor instituiu o Sacerdócio ministerial, atualizando ao longo dos séculos o seu único Sacrifício: "Fazei isto em memória de Mim" (Lc 22, 19). Depois, deixou-nos o mandamento novo do amor fraterno. Através do lava-pés, ensinou aos discípulos e ensina a nós, que o amor se deve manifestar no serviço humilde e abnegado ao próximo.

     Na Sexta-Feira Santa, dia de penitência e de jejum, recordamos a paixão e a morte de Jesus, permanecendo em adoração extasiada diante da Cruz. "Eis o madeiro da Cruz, no qual foi pregado Aquele que é o salvador do mundo". O Filho de Deus no Calvário assumiu os nossos pecados, oferecendo-se ao Pai como vítima de expiação. Da Cruz, fonte da nossa salvação, jorra a vida nova dos filhos de Deus. Cristo realizou o plano de amor e se entregou à morte, como entrega voluntária. Ao drama da Sexta-Feira seguiu-se o silêncio do Sábado Santo, dia cheio de expectativas e de esperança. Com Maria, a Comunidade cristã vigia em oração ao lado do sepulcro, aguardando que se realize o acontecimento glorioso da Ressurreição.

     Na Noite Santa da Páscoa tudo se renova em Cristo ressuscitado. De todas as partes da terra elevou-se ao céu o cântico do Glória e do Aleluia, enquanto a luz irrompeu nas trevas da noite. No silêncio fecundo da Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, a Igreja mergulha com Jesus Cristo nas profundezas da humilhação da morte (kenósis) e com Ele revive a experiência única e perene da Ressurreição, na alegria consciente de que o grão de trigo precisa morrer para produzir a vida.

     No Domingo de Páscoa exultamos com o Ressuscitado recebendo d'Ele os votos da paz. A narração do itinerário de Cristo encerra-se com o toque da trombeta pascal. Apropriemos-nos dele para nosso hino de ação de graças, para a nossa Eucaristia, por causa da nossa salvação. Se Cristo não tivesse ressuscitado, estaríamos ainda em nossos pecados (1Cor 15,17), não estaríamos salvos. O memorial da Páscoa, celebrado como evento central da fé cristã, atualiza em nossas vidas a obra da Redenção e Santificação realizada por Deus em Cristo, e nos prepara para a celebração da Páscoa definitiva na comunhão dos santos.

     O Mistério pascal não é somente uma idéia, uma doutrina ou uma instituição; em seu núcleo está uma pessoa, Jesus Cristo morto e ressuscitado. Deste insondável e inaudito mistério nunca se fala o suficiente, sendo para a fé cristã, de certo modo, tudo. Celebrar o Mistério central da nossa fé exige o nosso compromisso de atualizá-lo na realidade concreta da nossa existência. Significa reconhecer que a paixão de Cristo continua nos dramáticos acontecimentos que, infelizmente, também no nosso tempo afligem tantos homens e mulheres em todas as partes da terra. Mas o mistério da Cruz e da Ressurreição garante-nos que o ódio, a violência, o sangue e a morte não têm a última palavra nas vicissitudes humanas. A vitória definitiva é de Cristo e nós devemos voltar a partir d'Ele, se queremos construir para todos um futuro de paz autêntica, de justiça e de solidariedade.

     Que o Pai todo-poderoso, desperte em nossos corações uma fé verdadeira em Cristo ressuscitado, presente e vivo em nosso meio, vencedor da morte e do pecado.

     Com estes sentimentos, desejo  de coração  a todos uma serena e santa Páscoa.

* Frei Martinelly - Barra-Cordense,  é Secretário da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, em São Luís. 



EM DEFESA DA VIDA

     A defesa da vida é a grande luta que se trava, neste momento, no coração da cultura contemporânea. Não se pode fechar os olhos e tratar com naturalidade, quando se considera “a liberalização e banalização das práticas abortivas que são crimes abomináveis, como também a eutanásia, a manipulação genética e embrionária, ensaios médicos contrários à ética, a pena de morte e tantas outras maneiras de atentar contra a vida e a dignidade do ser humano” (Documento de Aparecida 467). A luta em defesa da vida é, pois, uma batalha na contramão desta cultura de morte que se estabeleceu na sociedade, fruto de uma mentalidade materialista, hedonista e individualista. É uma mentalidade fecundada por uma concepção distorcida da ciência, causando e fomentando violações contra a vida.

É muito fácil constatar, sem nenhum sentido de pessimismo, que a cultura hodierna, facilmente, propõe estilos de ser e viver contrários à natureza e a sacralidade do ser humano. Esta é uma conseqüência dos impactos produzidos pelos ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero. A conseqüência terrível é a relativização do valor e da sacralidade da pessoa. Estes ídolos se tornam a norma máxima no funcionamento e na organização social, comprometendo valores, negando dignidades. É o resultado da opção por encaminhamentos e normatizações que descartam, de modo funesto, o sentido ético e moral como referência determinante de escolhas e de comportamentos.

Neste âmbito está travada uma luta específica em se tratando dos processos e tentativas de legislações que venham a permitir atentados contra a vida, como o aborto. As argumentações da laicidade do estado e o respeito a liberdades são absurdos que revelam grupos, nos seus interesses particulares, e muitas pessoas, com responsabilidade de representação na sociedade, advogando procedimentos e normatizações que ferem o sentido intocável da dignidade da pessoa. É, pois, de grande importância acompanhar os desdobramentos no mundo da política, os movimentos nos parlamentos e casas legislativas, de olho nos representantes do povo para não permitir passos que possibilitem o estabelecimento da cultura da morte. Por isso, quem crê em Cristo Jesus tem, no exercício de sua cidadania, o compromisso de participação política e o dever de lutar contra a aprovação de políticas que atentam contra a vida.

O princípio fundamental nesta luta é a defesa da vida desde o seu primeiro momento, na concepção, até o último na morte natural. A Igreja Católica está nesta luta, de corpo e alma, contando com seus discípulos e discípulas missionários na defesa da vida. A Campanha da Fraternidade 2008, “Fraternidade e Defesa da Vida”, é um confronto com esta mentalidade contemporânea, fecundada por um relativismo ético perigoso, resultado das idolatrias do poder, da riqueza e do prazer.  A CF-2008 é uma luta contra a corrente do consumismo hedonista e individualista que coloca a vida humana em função de um prazer imediato e sem limites, obscurecendo e degradando o sentido verdadeiro da vida.
A defesa da vida inclui, pois, a promoção de uma adequada compreensão da vida como dom de Deus, exigindo de todos o empenho comprometido na luta contra o aborto, conscientizando a população e criando condições de apoio para que seja concreto o apreço pela vida; inclui, como capítulo central da preocupação pela dignidade humana, a luta e empenho permanentes na promoção e garantia das condições para que se viva segundo a grandeza desta dignidade.

A defesa da vida é uma luta para substituir a cultura da morte pela cultura da vida. Este caminho não se percorre, recorda o Papa Bento XVI, no seu discurso inaugural da Conferência de Aparecida, prescindindo de Deus. A leitura e a interpretação da realidade que prescindem de Deus são obtusas e mutiladas. É imprescindível recompor o sentido de Deus na cultura contemporânea como horizonte ético iluminador da vida.

Estimado leitor,

Escolhe, pois, a vida!!!!



A BÍBLIA E O HOMOSSEXUALISMO

A imprensa tem publicado artigos que insinuam seja o homossexualismo aceitável, visto que o rei Davi e outros personagens bíblicos o teriam praticado. ? A propósito registramos: 1) o homossexualismo é formalmente condenado pelo texto sagrado em Lv 18,22; 20,13; Rm 1, 26s; 1Cor 6,9s; 1Tm 1,9-11, pois é prática antinatural; 2) há episódios em que grupos homossexuais são mencionados na Bíblia, mas os seus costumes são condenados pelos autores sagrados (cf. Gn 19,1-29); 3) não se pode afirmar que Davi tenha sido amizade homossexual com Jônatas, filho do rei Saul (cf. 1Sm, 19,1-7; 20, 1-42); ao contrário, sabe-se que Davi teve várias esposas (concubinas) e cometeu adultério com Betsabéia, esposa do general Urias (cf. 2Sm 11, 2-17); 4) nem todos os personagens que desempenharam as suas façanhas com realismo, sem dissimular o pecado, para que o leitor avalie melhor a miséria humana sobre a qual se debruçou a misericórdia divina.
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