Pernambuco é o estado que sempre movimentou a História do Brasil. Antes, com a ocupação holandesa. Depois, a participação na Confederação do Equador, à frente com Bolívar, o general Abreu e Lima, que mereceu estátua eqüestre no panteão dos heróis em Caracas, Venezuela, agora país símbolo do socialismo de caserna, de Chávez. Ainda no Império, o caso do bispo de Pernambuco com suas “bulas fulminatórias de excomunhão às sociedades maçônicas”. Recentemente, o entrevero entre o senador Jarbas Vasconcelos e o PMDB de Sarney, de todos conhecido, que mereceu do partido uma bula laica, paulista – não pauliana – de exorcismo, inocentando a todos.
Agora, depois de meio século, o caso do estupro da menina de nove anos, a gravidez de gêmeos e o aborto praticado pelos médicos, fizeram ressurgir “o logos filosófico platônico" da excomunhão dos esculápios pernambucanos.
Desde o Império, a Igreja, no caso a Santa Sé, ou o Estado Religioso Universal, nunca pôde firmar, com o Brasil, uma concordata, i.é, “tratado diplomático público e solene regulando as relações mútuas de assuntos de interesse comum”. No passado,
era o padroado, ou seja, os padres “equiparavam-se ao funcionalismo público”, regime” combatido pelos liberais.
Se houvesse a Concordata, a excomunhão do bispo de Pernambuco aos médicos teria efeitos jurídicos, indenizatórios, etc, contra o Estado, com direitos ao Vaticano. Como inexiste aquela, fixa o vácuo espacial a condenação, prevista no Direito Canônico. Inaplicável. Inócua. Carente do sal da terra.
No entanto, o rescaldo das palavras e da excomunhão do bispo pernambucano, Como no distante passado relatado, vcolta-se contra a legisdlação da Igreja que não pode ser alterada pelos costumes da sociedade moderna do século XXI, o século do fio dental e da nudez. Vira feitiço. Assim, o Brasil ficou salvo da Concordata, e Pernambuco da excomunhão. Coletiva. Axé! Fica o dito pelo não dito.
Agora, neste momento histórico, em Pernambuco, reuniu-se a cúpula da pajelança política das “primárias’ brasileiras em torno do livro do ex-ministro de Tancredo Neves, Fernando Lyra, composta de pernambucanos, paulistas e mineiros cujo antídoto às excomunhões e esconjuros de qualquer dos hemisférios do universo eleitoral “é até onde está o que se sabe”. Nada de caos e salvação, nem, muito menos, mito se transformar em ideologias, ciências, teorias metafísicas e religiões, mas exclusivamente, pragmatismo político. Eta! Pernambuco da peste!
* Pedro da Silva Brasiliense - Filho de maranheses de Imperatriz, nascido e residente em Brasília.
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