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O massacre em Gaza
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Manifestantes protestam em frente à embaixada de Israel em Oslo, capital da Noruega, no sábado. Foto: Hans O. Torgersen/Aftenposten
Por Olímpio Cruz Neto
OSLO noruega), 4 de janeiro - Um misto de revolta e desespero toma conta dos europeus nesses últimos dias. Milhares deixaram no sábado suas casas para protestar contra o MASSACRE promovido por Israel contra a população palestina sitiada na Faixa de Gaza. Pelo menos 485 palestinos foram mortos desde o início da ofensiva, há nove dias. Já passa de 2,5 mil o número de feridos em Gaza.
É aterrorizador que esse crime hediondo, perpetrado pelo Estado de Israel, cuja existência decorre dos milhões de judeus mortos durante o holocausto nos anos 30/40, ocorra em pleno século 21 sem que nenhuma nação se oponha. Os israelenses estão promovendo uma carnificina exatamente neste momento, enquanto você lê este artigo.
Protestos contra o massacre em Gaza marcaram a paisagem de cidades como Oslo, Amsterdã, Berlim, Londres, Paris, Madri, Roma e outras capitais neste sábado. Ainda é pouco. É preciso mais pressão sobre os líderes políticos para cessar a carnificina em Gaza. Onde está a Organização das Nações Unidas? Há um misto de impotência e medo no rosto dos europeus. O sentimento de revolta não ajuda a minimizar isso. Onde diabos foram parar os líderes políticos pacifistas?
Enquanto digito esse texto aqui em Oslo, assisto ao canal internacional da Al-Jazeera, que mostra o massacre continuado neste sábado e agora, em pleno domingo. Os relatos dos repórteres da emissora árabe apontam o caos em Gaza. Faltam remédios, sangue e comida. Dezenas de centenas de pessoas estão sem amparo nos hospitais.
Um funcionário da ONU relatava, há pouco, que a situação é desesperadora. Ainda assim, Israel mantém a decisão de avançar com a invasão terrestre neste final de semana. A hipótese de um cessar-fogo não existe no horizonte das próximas horas. Infelizmente. E os Estados Unidos impediram, na madrugada deste sábado para domingo, que o Conselho de Segurança da ONU exigisse um cessar-fogo.
E o massacre continua. Contra uma população civil indefesa e militantes armados do Hamas com apenas foguetes caseiros, uma chuva de bombas certeiras. A mais alta tecnologia disponível no Exército de Israel, fornecida pelos Estados Unidos, está sendo usada nesta ofensiva monstruosa. É monstruosamente desproporcional o nível dos ataques.
Agora há pouco, assisti pela Al-Jazeera helicópteros israelenses, na manhã deste domingo, jogarem dezenas de foguetes certeiros nos prédios de Gaza. As colunas de fumaça cobrem todo o horizonte em Gaza. Imagens de civis feridos e mortos pelas ruas são transmitidas apenas pela Al-Jazeera, que mantém quatro equipes de jornalistas em Gaza, enquanto o resto acompanha a ofensiva israelense da borda de Gaza. É desumano o nível de ataques. A
razão alegada de que o Estado de Israel se defende dos militantes do Hamas é patética para não dizer cínica. O que está em jogo não é a segurança de Israel, mas a sobrevivência política da candidata do partido Kadima, que está no poder em Tel Aviv, a ministra de Assuntos Exteriores, Tzipi Livni. Temendo a derrocada nas urnas, em fevereiro, para a oposição de extrema-direita, o partido jogou na ofensiva militar de olho em resultados eleitorais. É simples assim.
E agora, quando os muçulmanos se insurgem nas várias cidades do Oriente Médio e do mundo pedindo o fim do massacre, a situação só tende a piorar. A escalada vai aumentar. E quem sofrerá ainda mais são os civis, incluindo as crianças. O Hamas não vai acabar, Israel não vai recuar, dezenas de crianças continuarão perecendo e a maldita civilização européia permanecerá atônita, assistindo a isso tudo. E aí? Vai ficar por isso mesmo?
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